(Sociedade Espírita do México) I Filho querido de uma terra amada, Lembro-me sempre de você aqui.
Sob outros céus, alma regenerada Amor, beleza e mocidade vi Da vida, enfim, no seu topo me inundo, Eterno globo de reencarnações; E eu, pobre Espírito deste outro mundo, Ensaio alguma de minhas canções.
II Eu vi chegar esta diva criatura Que de emoção envolve o nome seu; Mas em seus olhos não mais que a ternura, Pôde sentir sem medo este olhar meu.
E adormeci, e a amiga em tom profundo, Dá-me ao partir enternecidos sons; E eu, pobre Espírito deste outro mundo, Ensaio algumas de minhas canções.
III Oh, ide em paz! Deitai-vos no jazigo, Mortos felizes, deixai de acordar; Olhos fechados são telas de abrigo Que se abrirão a um sol belo e a brilhar.
Sorride, pois, que a morte lá no fundo Quer-vos brindar com messes e orações; E eu, pobre Espírito deste outro mundo, Ensaio alguma de minhas canções.
IV Ei-los caídos, gigantes da glória; Escravos, reis, todos serão iguais, Que para todos nós maior vitória Só cabe àquele que amar souber mais.
Lá vemos esse que amor, gemebundo, Nos pede, ou que deixamos com aflições.
E eu, pobre Espírito deste outro mundo, Ensaio alguma de minhas canções.
V Adeus, amigos. Adentro esse espaço Que à vossa voz possa eu sempre vencer; A imensidade é um eterno enlaço Que brevemente vireis percorrer.
Sim, e com voz jovial em tom jucundo, Juntos direis então minhas lições; E eu, pobre Espírito deste outro mundo, Ensaio alguma de minhas canções.
Béranger Observação – De passagem por Paris, o presidente da Sociedade Espírita do México houve por bem confiar-nos uma coletânea de comunicações dessa Sociedade, autorizando-nos a escolher o que julgássemos útil. Pensamos que nossos leitores não protestarão por essa primeira escolha que fizemos. Verão, pelas mostras, que belas comunicações são dadas em todos os países.
Devemos acrescentar que o médium que obteve os dois fragmentos acima é uma senhora inteiramente alheia à poesia.