O homem compõe-se de corpo e Espírito; o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o envoltório material que reveste o Espírito temporariamente, para o cumprimento de sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, gasto, se destrói e o Espírito sobrevive à sua destruição. Sem o Espírito, o corpo não passa de matéria inerte, qual instrumento privado da mola que o faz agir; sem o corpo, o Espírito é tudo: a vida, a inteligência. Ao deixar o corpo, retorna ao mundo espiritual, de onde havia saído para reencarnar.
Existem, portanto, dois mundos: o mundo corpóreo, composto de Espíritos encarnados, e o mundo espiritual, formado de Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corpóreo, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à Terra ou a um globo qualquer; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no Espaço, não lhe sendo assinalado nenhum limite. Em virtude da natureza fluídica de seu envoltório, os seres que o compõem, em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias com a rapidez do pensamento. A morte do corpo é a ruptura dos laços que os retinham cativos.