O progresso nos Espíritos é fruto do seu próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham pelo seu próprio adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo a vontade deles; desse modo, aceleram ou retardam o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade. Enquanto uns avançam rapidamente, outros permanecem estagnados por longos séculos nas fileiras inferiores. São eles, pois, os próprios artífices da sua situação, feliz ou infeliz, conforme esta frase do Cristo: “A cada um segundo as suas obras.” Desse modo, todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o mérito exclusivo do seu esforço, dando por isso maior apreço à felicidade conquistada.
A suprema felicidade só é partilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos Espíritos puros, que só a conseguem depois de terem progredido em inteligência e moralidade. O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham juntos, mas o que o Espírito não consegue em dado tempo, alcança em outro, de sorte que os dois progressos acabam por atingir o mesmo nível. É por isso que se veem muitas vezes homens inteligentes e instruídos pouco adiantados moralmente, e vice-versa.