No começo das manifestações, quando ninguém ainda tinha ideias exatas sobre o assunto, muitos escritos foram publicados com este título: Comunicações de uma cesta, de uma prancheta, de uma mesa etc. Hoje se compreende quanto são impróprias e errôneas tais expressões, sem falar do caráter pouco sério que revelam. Efetivamente, como acabamos de ver, as mesas, pranchetas e cestas são instrumentos desprovidos de inteligência, embora animados momentaneamente de uma vida artificial, que nada podem comunicar por si mesmos. Dizer o contrário é tomar o efeito pela causa, o instrumento pelo princípio. É como se um autor declarasse, no título da sua obra, que ela fora escrita com uma pena metálica ou com uma pena de ganso. Aliás, esses instrumentos não são exclusivos. Conhecemos alguém que, em vez da cesta-pião, de que já tratamos, se servia de um funil, em cujo gargalo introduzia o lápis. Assim, conforme o instrumento utilizado, poder-se-ia receber comunicações de um funil, do mesmo modo que de uma caçarola ou de uma saladeira. Se elas forem dadas por meio de pancadas com uma cadeira ou uma bengala, já não teremos mesa falante, mas uma cadeira ou uma bengala falantes. O que importa que se conheça não é o instrumento, mas a maneira como são obtidas as comunicações. Se a comunicação vem por meio da escrita, seja qual for o suporte do lápis, o que há, para nós, é psicografia; se chega por meio de pancadas, é tiptologia. O Espiritismo precisa de uma linguagem científica, porque já assumiu as proporções de uma ciência.