O Príncipe de Hohenlohe, Médium Curador
“Apenas saído do espetáculo desta cena tocante, fui testemunha de outra cura, operada na casa do Sr. general D... Uma jovem mulher tinha a mão direita tão gravemente estropiada, que não podia usá-la nem estendê-la. Ela imediatamente deu prova de sua perfeita cura, levantando com a mesma mão uma cadeira muito pesada. “No mesmo dia um paralítico, cujo braço esquerdo se havia definhado, foi curado completamente. Uma cura de dois outros paralíticos ocorreu logo depois. Ela foi tão completa e ainda mais pronta. “No dia 28 eu mesmo vi com que prontidão e segurança o príncipe de Hohenlohe curou crianças. Tinham-lhe trazido uma do campo que só andava com muletas. Poucos minutos depois essa criança, transportada de alegria, corria sem muletas pelas ruas. Entrementes, uma criança muda, que apenas soltava alguns sons inarticulados, foi trazida ao príncipe; alguns minutos depois começou a falar. Logo uma pobre mulher trouxe sua filhinha às costas, estropiada das duas pernas; colocou-a aos pés do príncipe. Um momento depois ele entregou a criança à sua mãe, que então viu a filha correr e pular de alegria. “No dia 29, uma mulher de Neustadt, paralítica e cega, foi-lhe trazida numa charrete. Estava cega há vinte e cinco anos. Cerca de três horas da tarde ela se apresentou no castelo da residência de nossa cidade, para implorar o socorro do príncipe de Hohenlohe, no momento em que ele entrava no vestíbulo, construído sob a forma de uma grande tenda. Caindo aos pés do príncipe, ela lhe suplicou, em nome de Jesus-Cristo, que a socorresse. O príncipe orou por ela, deu-lhe sua bênção e perguntou se acreditava firmemente que pudesse, em nome de Jesus, recobrar a vista. Como respondesse que sim, disse a ela que se levantasse. Retirou-se. Mal se havia afastado alguns passos, seus olhos abriram-se de repente. Ela viu e deu todas as provas que lhe pediram da faculdade que acabava de recobrar. Todas as testemunhas desta cura, entre as quais grande número de senhores da corte, ficaram extasiadas de admiração. “A cura de uma mulher do hospital civil, que haviam trazido ao príncipe, não é menos admirável. Essa mulher, chamada Elisabeth Laner, filha de um sapateiro, tinha a língua tão vivamente afetada que, por vezes, passava quinze dias sem poder articular uma sílaba. Suas faculdades mentais tinham sofrido muito. Tinha perdido quase completamente o uso dos membros, de sorte que jazia no leito como uma massa. Pois bem! essa pobre infeliz foi hoje ao hospital sem ajuda de ninguém. Goza de todos os sentidos, como há doze anos, e sua língua soltou-se tão bem que ninguém no hospício fala com tanta volubilidade quanto ela. “No dia 30, à tarde, o príncipe deu um exemplo extraordinário de cura. Uma carroça, em volta da qual estavam reunidos milhares de espectadores, tinha vindo de Musmerstadt. Nela estava um pobre estudante, paralítico dos braços e das pernas, definhados de maneira assustadora. “Suplicado pelo infeliz para o aliviar, o príncipe veio à carroça. Orou cerca de cinco minutos, as mãos postas e erguidas para o céu. Falou várias vezes ao estudante e, enfim, lhe disse: ‘Levantai-vos, em nome de Jesus-Cristo.’ O estudante realmente se levantou, mas com sentimentos que não pôde dissimular. O príncipe lhe disse que não perdesse a confiança. O infortunado que, alguns minutos antes, não podia mover braços nem pernas, endireitou-se e ficou perfeitamente livre na carroça. Depois, erguendo os olhos para o céu, onde se viam desenhados o mais terno reconhecimento, exclamou: ‘Ó Deus! vós me socorrestes!’ Os espectadores não puderam conter as lágrimas. “As curas miraculosas operadas em Wurtzbourg pelo príncipe de Hohenlohe poderiam oferecer assunto para mais de cem quadros de ex-voto.” Notar-se-á a impressionante analogia que existe entre estes fatos de cura e os de que somos testemunhas. O Sr. de Hohenlohe se achava nas melhores condições para o desenvolvimento de sua faculdade e, por isso, a conservou até o fim. Como nessa época não se conhecia a sua verdadeira origem, era considerada como um dom sobrenatural e o Sr. Hohenlohe como operante de milagres. Mas, por que é olhada por algumas pessoas como um dom do céu, e por outras como uma obra satânica? Não conhecemos nenhum médium curador que tenha dito tirar seu poder do diabo; todos, sem exceção, só operam invocando o nome de Deus e declarando nada poder fazer sem a sua vontade. Os mesmos que ignoram o Espiritismo e agem por intuição, recomendam a prece, na qual reconhecem um poderoso auxiliar. Se agissem pelo demônio, seriam ingratos em o renegar, e este último não é tão modesto, nem tão desinteressado para deixar àquele que procura combater o mérito do bem que faz, porque isto seria perder seus auxiliares, em vez de os recrutar. Alguma vez se viu um negociante elogiar aos seus clientes a mercadoria de seu vizinho a expensas da sua e os compelir a ir a ele? Na verdade, têm razão de rir do diabo, porque dele fazem um ser muito tolo e muito estúpido. A comunicação seguinte foi dada pelo príncipe de Hohenlohe na Sociedade de Paris. (Sociedade de Paris, 26 de outubro de 1866 – Médium: Sr. Desliens) Senhores, venho entre vós com tanto mais prazer quanto minhas palavras podem tornar-se para todos um útil assunto de instrução. Frágil instrumento da Providência, pude contribuir para fazer glorificar o seu nome e venho de boa vontade entre aqueles que têm por objetivo principal conduzir-se segundo as suas leis, e progredir tanto quanto neles está o caminho da perfeição. Vossos esforços são louváveis e me considerarei como muito honrado por assistir algumas vezes aos vossos trabalhos. Vamos, então, desde já, às manifestações que provocaram minha presença entre vós. Como dissestes com toda razão, a faculdade de que eu era dotado era simplesmente o resultado de uma mediunidade. Eu era instrumento; os Espíritos agiam e, se algo eu pude, não foi senão por meu grande desejo de fazer o bem e pela convicção íntima de que tudo é possível a Deus. Eu acreditava!... e as curas que obtinha vinham incessantemente aumentar a minha fé. Como todas as faculdades mediúnicas, que hoje concorrem para a vulgarização do ensino espírita, a mediunidade curadora foi exercida em todos os tempos e por indivíduos pertencentes às diversas religiões. – Deus espalha por toda parte seus mais adiantados servos, para deles fazer balizas de progresso, entre os próprios que estão mais afastados da virtude e, direi mesmo, sobretudo entre estes... Como um bom pai que ama igualmente todos os filhos, sua solicitude se manifesta sobre todos, mas mais particularmente sobre os que mais necessitam de apoio para avançar. – É assim que não é raro encontrar homens dotados de faculdades extraordinárias para a multidão, entre os simples. E, por esta palavra, eu entendo aqueles cuja pureza de sentimentos não foi ofuscada pelo orgulho e pelo egoísmo. É verdade que a faculdade também pode existir em pessoas indignas, mas não é, nem poderia ser, senão passageira. É um meio enérgico de lhes abrir os olhos: tanto pior para os que se obstinam em mantê-los fechados. Entrarão novamente na obscuridade de onde saíram, com a confusão e o ridículo por cortejo, se mesmo Deus não punir, desde esta vida, seu orgulho e sua obstinação em desconhecer a sua voz. Seja qual for a crença íntima de um indivíduo, se suas intenções forem puras, e se estiver inteiramente convencido da realidade do que crê, pode, em nome de Deus, operar grandes coisas. A fé transporta montanhas: dá a vista aos cegos e o entendimento espiritual aos que antes erravam nas trevas da rotina e do erro. Quanto à melhor maneira de exercer a faculdade de médium curador, há apenas uma: É ficar modesto e puro e referir a Deus e às potências que dirigem a faculdade tudo o que se realiza. Os que perdem os instrumentos da Providência é que não se julgam simples instrumentos; querem que seus méritos sejam em parte causa da escolha feita de sua pessoa; o orgulho os embriaga e o precipício se entreabre sob seus pés. Educado na religião católica, penetrado da santidade de suas máximas, tendo fé em seu ensino, como todos os meus contemporâneos, eu considerava como milagres as manifestações de que era objeto. Hoje sei que a coisa é muito natural e que pode e deve conciliar-se com a imutabilidade das leis do Criador, para que sua grandeza e sua justiça permaneçam intactas. Deus não poderia fazer milagres!... porque então seria dar a presumir que a verdade não fosse bastante forte para afirmar-se por si mesma e, por outro lado, não seria lógico demonstrar a eterna harmonia das leis da Natureza, perturbando-as com fatos em desacordo com a sua essência. Quanto a adquirir a faculdade de médium curador, não há método para isto; todo mundo pode, em certa medida, adquirir esta faculdade e, agindo em nome de Deus, cada um fará suas curas. Os privilegiados aumentarão em número à medida que a Doutrina se vulgarizar, e é muito simples, pois haverá mais indivíduos animados de sentimentos puros e desinteressados. Príncipe de Hohenlohe Variedades
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Mês Dezembro
Ano 1866