De todas as manifestações espíritas, as mais simples e mais frequentes são os ruídos e as pancadas. É principalmente neste caso que se deve temer a ilusão, já que uma porção de causas naturais pode produzi-los: o vento que sibila ou que agita um objeto, um corpo que se move por si mesmo sem que ninguém perceba, um efeito acústico, um animal oculto, um inseto etc., e até mesmo a malícia dos brincalhões de mau gosto. Aliás, os ruídos espíritas apresentam um caráter especial, revelando intensidade e timbre muito variado, que os tornam facilmente reconhecíveis e não permitem que sejam confundidos com os estalidos da madeira, com as crepitações do fogo, ou com o tique-taque monótono do relógio. São pancadas secas, ora surdas, fracas e leves, ora claras, distintas, às vezes retumbantes, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica. De todos os meios de controle, o mais eficaz, o que não pode deixar dúvida quanto à origem do fenômeno, é a obediência deste à vontade de quem o observa. Se as pancadas forem ouvidas no lugar que indicarmos, se responderem ao nosso pensamento, pelo número de batidas solicitadas ou pelo aumento ou diminuição da sua intensidade, não lhes podemos negar uma causa inteligente, embora nem sempre a falta de obediência constitua prova em contrário.