Capítulo 54
“Pelo que, sendo chamado, vim sem contradizer. Pergunto pois: por que razão mandastes chamar-me?” – Pedro. (Atos, 10:29.) A pergunta de Pedro ao centurião Cornélio é traço de grande significação nos atos apostólicos. O funcionário romano era conhecido por suas tradições de homem caridoso e reto, invocava a presença do discípulo de Jesus atendendo a elevadas razões de ordem moral, após generoso alvitre de um emissário do Céu e, contudo, atingindo-lhe o círculo doméstico, o ex-pescador de Cafarnaum interroga, sensato: – “Por que razão mandastes chamar-me?” Simão precisava conhecer as finalidades de semelhante exigência, tanto quanto o servidor vigilante necessita saber onde pisa e com que fim é convocado aos campos alheios. Esse quadro expressivo sugere muitas considerações aos novos aprendizes do Evangelho. Muita gente, por ouvir referências a esse ou àquele Espírito elevado costuma invocar-lhe a presença nas reuniões doutrinárias. A resolução, porém, é intempestiva e desarrazoada. Por que reclamar a companhia que não merecemos? Não se pode afirmar que o impulso se filie à leviandade, entretanto, precisamos encarecer a importância das finalidades em jogo. Imaginai-vos chamando Simão Pedro a determinado círculo de oração e figuremos a aquiescência do venerável apóstolo ao apelo. Naturalmente, sereis obrigados a expor ao grande emissário celestial os motivos da requisição. E, pautando no bom senso as nossas atitudes mentais, indaguemos de nós mesmos se possu- ímos bastante elevação para ver, ouvir e compreender-lhe o espírito glorioso. Quem de nós responderá afirmativamente? Teremos, assim, suficiente audácia de invocar o sublime Cefas, tão-somente para ouvi-lo falar?
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Coleção Fonte Viva
Volume 2
Médium Francisco Cândido Xavier
Número 54
Nome do Capítulo Razão dos apelos