Capítulo 3
Uma só existência corpórea é claramente insuficiente para que o Espírito possa adquirir todo o bem que lhe falta e de se desfazer de todo o mal que traz em si. Como poderia o selvagem, por exemplo, numa única encarnação, alcançar o nível moral e intelectual do mais adiantado europeu? É materialmente impossível. Deve ele, pois, permanecer eternamente na ignorância e barbaria, privado dos gozos que só o desenvolvimento das faculdades pode proporcionar-lhe? O simples bom senso repele tal suposição, que seria não somente a negação da justiça e da bondade divinas, mas das próprias leis progressivas da natureza. É por isso que Deus, que é soberanamente justo e bom, concede ao Espírito do homem tantas existências quantas forem necessárias para atingir o seu objetivo, que é a perfeição. Para cada nova existência, o Espírito traz consigo o que adquiriu nas anteriores, em aptidões, conhecimentos intuitivos, inteligência e moralidade. Cada existência é assim um passo adiante no caminho do progresso.⁶ A encarnação é inerente à inferioridade dos Espíritos. Deixa de ser necessária quando estes, transpondo-lhe os limites, progrediram no estado espiritual, ou nas existências corpóreas de mundos superiores, que nada mais têm da materialidade terrena. Da parte destes a encarnação é voluntária, tendo por fim exercer sobre os encarnados uma ação mais direta para o cumprimento da missão de que estão encarregados junto a eles. Nesse caso, é por devotamento que aceitam as vicissitudes e os sofrimentos que tais encarnações acarretam.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo O céu
Item 9