Dirão, sem dúvida, e com razão, que a convicção não se encomenda, e que um jornal, assim como um indivíduo, não pode abraçar idéias que não sejam as suas. Isto é muito justo, mas não impede a imparcialidade. Ora, até hoje, salvo pequeníssimas exceções, os jornais têm aberto suas colunas, tão amplamente quanto possível, à crítica, aos ataques, à difamação mesma, contra uma numerosa classe de cidadãos, lançando sem escrúpulo o ridículo e o desprezo sobre as pessoas, enquanto se mantêm fechados impiedosamente à defesa. Quantas vezes a lei não assegurou resposta a direitos que foram ignorados! Dever-se-ia, então, recorrer a medidas de exceção, intentar processos? Estes teriam sido aos milhares nos últimos dez anos. Perguntamos: Há imparcialidade, justiça, da parte das folhas que, incessantemente, proclamam a liberdade de pensamento, a igualdade de direitos e a fraternidade? Compreende-se a refutação de uma doutrina com a qual não se compartilha, a discussão raciocinada e de boa-fé de seus princípios; mas o que nem é justo, nem leal, é desnaturá-la e fazê-la dizer o contrário do que diz, com vistas a desacreditá-la. Ora, é o que fazem diariamente os adversários do Espiritismo. Admitir a defesa depois do ataque, a retificação das inexatidões, não seria esposar-lhe os princípios, mas apenas imparcialidade e lealdade.
Um jornal poderia mesmo ir mais longe; sem renunciar às suas convicções e com toda reserva de suas opiniões pessoais, poderia admitir a discussão dos prós e dos contras e, assim, colocar seus leitores em condições de julgar uma questão que vale bem a pena, pela repercussão que ela alcança dia a dia.
Devemos, pois, elogios à imparcialidade do jornal que acolhe os artigos do Sr. Chaigneau. Devemo-los, também, ao autor que, como um dos primeiros, entra na arena da publicidade oficial, para aí sustentar a nossa causa, com a autoridade de um homem de ciência. O artigo referido acima é apenas a introdução de seu trabalho; o número de 12 de março contém a abertura da matéria: é uma exposição cientificamente racional do histórico do Espiritismo moderno. Lamentamos que sua extensão não nos permita reproduzi-lo.