Processo das Envenenadoras de Marselha
A instrução é indispensável, ninguém o contesta; mas, sem a moralização, não passa de um instrumento, muitas vezes improdutivo para aquele que não sabe regular o seu uso com vistas ao bem. Instruir as massas sem as moralizar é pôr em suas mãos uma ferramenta sem lhes ensinar a utilizá-la, pois a moralização que se dirige ao coração não segue necessariamente a instrução que só se dirige à inteligência. Aí está a experiência para o provar. Mas, como moralizar as massas? É o de que menos se ocuparam, e por certo não será alimentando-as com a idéia de que não há Deus, nem alma, nem esperança, porque nem todos os sofismas do mundo demonstrarão que o homem que acredita que tudo começa e acaba com o corpo tenha mais fortes razões para esforçar-se por se melhorar, do que aquele que compreende a solidariedade existente entre o passado, o presente e o futuro. E, contudo, é essa crença no niilismo que uma certa escola de supostos reformadores pretende impor à Humanidade como o elemento por excelência do progresso moral. Citando Victor Hugo, o autor esquece, ou melhor, nem desconfia de que este último tenha afirmado abertamente, em muitas ocasiões, sua crença nos princípios fundamentais do Espiritismo. É verdade que não é Espiritismo à maneira de Joye; mas quando não se sabe, pode-se confundir. Por mais lamentável que seja o abuso praticado em nome do Espiritismo nesta questão, nenhum espírita se abalou com as conseqüências que pudessem resultar para a Doutrina. É que, com efeito, sendo sua moral inatacável, não podia ser atingida. Ao contrário, prova a experiência que não há uma só das circunstâncias que envolveram o nome do Espiritismo que não tenha redundado em seu proveito, pelo aumento do número de seus adeptos, porque o exame que a repercussão provoca só lhe pode ser vantajoso.\nTodavia, é de notar que, neste caso, com poucas exceções, a imprensa se absteve de qualquer comentário a respeito do Espiritismo. Há alguns anos ela teria alimentado suas colunas durante dois meses e não deixaria de apresentar Joye como um dos grandes sacerdotes da Doutrina. Igualmente pôde-se notar que, em seu requisitório, nem o presidente da corte, nem o procurador-geral insistiram na circunstância para dela tirar qualquer ilação. Só o advogado de Joye fez seu ofício de defensor como pôde.
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Mês Janeiro
Ano 1869