Capítulo 11
Castro, porém, será treinado para a prestação de valioso concurso aos enfermos de qualquer posição. Enquanto assinalávamos o apontamento, a voz do médium se elevava no ar, vigorosa e cristalina. — Que alívio! Rompemos a barreira de trevas!… A atmosfera está embalsamada de leve aroma!… Brilham as estrelas novamente… Oh! É a cidade de luz… Torres fulgurantes elevam-se para o firmamento! Estamos penetrando um grande parque!… Oh! Meu Deus, quem vejo aqui a sorrir-me!… É o nosso Oliveira! Como está diferente! Mais moço, muito mais moço… Lágrimas copiosas banharam o rosto do médium, comovendo-nos a todos. No gesto de quem se entregava a um abraço carinhoso, de coração a coração, o medianeiro continuou: — Que felicidade! Que felicidade!… Oliveira, meu amigo, que saudades de você!… Por que razão teríamos ficado assim, sem a sua cooperação? Sabemos que a Vontade do Senhor deve prevalecer, mas a distância tem sido para nós um tormento!… A lembrança de seu carinho vive em nossa casa… Seu trabalho permanece entre nós como inesquecível exemplo de amor cristão!… Volte! Venha incentivar-nos na sementeira do bem!… Amado amigo, nós sabemos que a morte é a própria vida, no entanto, sentimos sua falta!… A voz do viajante, que se fazia ouvir de tão longe, entrecortava-se agora de doloridos soluços. O próprio Raul Silva mostrava igualmente os olhos marejados de pranto. Áulus deu-nos a conhecer quanto ocorria. — Oliveira foi um abnegado trabalhador neste santuário do Evangelho, — explicou. — Desencarnou há dias, e Castro, com aquiescência dos orientadores, foi apresentar-lhe as afetuosas saudações dos companheiros. Demora-se em refazimento, ainda inapto a comunicação mais íntima com os irmãos que ficaram. Mas poderá enviar a sua mensagem, por intermédio do companheiro que o visita. — Abrace-me, sim, querido amigo! — Prosseguia Castro, com inenarrável inflexão de ternura fraterna. — Estou pronto!… Direi o que você deseja… Fale e repetirei!… E, recompondo-se, na atitude de quem se devia fazer intermediário digno, modificou a expressão fisionômica, falando cadenciadamente para os circunstantes: — Meus amigos, que o Senhor lhes pague. Estou bem, mas na posição do convalescente, incapaz de caminhada mais difícil… Sinto-me reconfortado, quase feliz! Indiscutivelmente, não mereço as dádivas recebidas, pois me vejo no Grande Lar, amparado por afeições inolvidáveis e sublimes! As preces do nosso grupo alcançam-me cada noite, como projeção de flores e bênçãos! Como expressar-lhes gratidão se a palavra terrestre é sempre pobre para definir os grandes sentimentos de nossa vida? Que o Pai os recompense!… Aqui, onde me encontro, vim reconhecer, mais uma vez, a minha desvalia e agora concluo que todos os nossos sacrifícios pela causa do bem são bagatelas, comparados à munificência da Divina Bondade… Meus amigos, a caridade é o grande caminho! Trabalhemos!… Jesus nos abençoe!… A voz de Castro apagou-se-lhe nos lábios e, daí a instantes, vimo-lo regressar, amparado pelos irmãos que o haviam conduzido, retomando o corpo denso, com naturalidade. Reajustando-se, qual se o vaso físico o absorvesse, de inopino, acordou na Esfera carnal, na posse de todas as suas faculdades normais, esfregando os olhos, como quem desperta de grande sono. O desdobramento em serviço estava findo e com a tarefa terminada havíamos recolhido preciosa lição.
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Nome do Capítulo Desdobramento em serviço