Estais mais calmo do que vosso irmão. Poderíeis dar-nos uma descrição mais precisa dos vossos sofrimentos? – R. Não sofreis aí na Terra no vosso orgulho, no vosso amor-próprio, quando obrigados a reconhecer os vossos erros? O vosso espírito não se revolta com a ideia de vos humilhardes a quem vos demonstre o vosso erro? Pois bem! Julgai quanto deve sofrer o Espírito que, durante toda uma existência, se convenceu de que nada existia além dele, e que a sua razão sempre prevalecia sobre os demais. Encontrando-se de súbito diante da estrondosa verdade, sente-se aniquilado, humilhado. A isso vem ainda juntar-se o remorso de haver esquecido por tanto tempo a existência de um Deus tão bom, tão indulgente. A situação é insuportável; não há calma nem repouso; só se encontra um pouco de tranquilidade no momento em que a graça divina, isto é, o amor de Deus, nos toca, pois o orgulho se apossa de tal modo de nosso pobre espírito que ele fica como que embotado, a ponto de ser preciso ainda muito tempo para que nos despojemos completamente dessa roupagem fatal. Somente a prece dos nossos irmãos pode ajudar-nos nesses transes.