Necrológio – Morte do Sr. Didier
Crede bem, senhores, que eu tenho no coração, tanto quanto qualquer outro, os interesses da doutrina e que, quando faço ou não faço uma coisa, é com madura reflexão e depois de ter pesado as conseqüências. Nossa colega, Sra. R..., veio da parte de alguns assistentes solicitar-me que tomasse a palavra. Pessoas que não conhecia, acrescentou ela, acabavam de dizer-lhe que tinham vindo ao cemitério na expectativa de me ouvir. Sem dúvida era muito lisonjeiro para mim, mas, da parte de tais pessoas, era enganar-se redondamente quanto ao meu caráter pensar que um excitante do amor-próprio pudesse animar-me a falar para satisfazer a curiosidade dos que tinham vindo por outro motivo que não o de render homenagem à memória do Sr. Didier. Por certo essas pessoas ignoram que, se me repugna impor-me, também não gosto de me exibir. É o que a Sra. R... lhes devia ter respondido, acrescentando que ela me conhecia e me estimava bastante para estar certa de que o desejo de me pôr em evidência não teria qualquer influência sobre mim. Em outras circunstâncias, senhores, eu teria considerado um dever, teria ficado feliz ao prestar ao nosso colega um público testemunho de afeição em nome da Sociedade, representada em suas exéquias por um grande número de seus membros. Mas como os sentimentos estão mais no coração que na demonstração, sem dúvida cada um de nós já lho havia prestado do foro íntimo. Neste momento em que estamos reunidos, paguemos-lhe entre nós o tributo do nosso pesar, da estima e da simpatia que ele merece e esperemos que ele se digne voltar entre nós, como no passado, e continuar, como Espírito, a tarefa espírita que havia empreendido como homem.
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Mês Janeiro
Ano 1866