Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a produzir-se, ou, dizendo melhor, quando esses fenômenos voltaram a repetir-se nestes últimos tempos, o primeiro sentimento que despertaram foi o da dúvida sobre a sua realidade e, mais ainda, sobre a causa que lhes dava origem. A partir do momento em que foram comprovados por testemunhos irrecusáveis e pelas experiências que todos puderam fazer, cada um passou a interpretá-los a seu modo, de acordo com suas ideias pessoais, suas crenças, ou suas prevenções. Daí o aparecimento de numerosos sistemas, que uma observação mais atenta viria reduzir ao seu justo valor.
Os adversários do Espiritismo julgaram encontrar um argumento nessa divergência de opiniões, dizendo que os próprios espíritas não se entendiam entre si. Era uma razão muito pobre, desde que se reflita que os primeiros passos de qualquer ciência são necessariamente incertos, até que o tempo haja permitido a reunião e a coordenação dos fatos, sobre os quais se possa firmar a opinião.
À medida que os fatos se completam e vão sendo mais bem observados, as ideias prematuras se apagam e a unidade se estabelece, pelo menos com relação aos pontos fundamentais, quando não sobre os detalhes. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia fugir à lei comum e tinha mesmo que se prestar, por sua natureza e mais do que qualquer outro assunto, à diversidade das interpretações. Pode-se até dizer que, a este respeito, ele andou mais depressa do que as outras ciências mais antigas, do que a Medicina, por exemplo, que ainda hoje divide os maiores sábios.