São Luís A epidemia que vem dizimar o mundo em certos momentos, e que conviestes chamar cólera, fere de novo e por golpes redobrados a Humanidade; seus efeitos são prontos e sua ação rápida. Sem nenhum aviso, o homem passa da vida à morte, e aqueles, mais privilegiados, poupados por sua mão fulminante, ficam estupefatos, trêmulos, ante as espantosas conseqüências de um mal desconhecido em suas causas, e cujo remédio se ignora completamente.
Nesses tristes momentos, o medo se apodera dos que apenas encaram a ação da morte, sem pensar no além, e que, só por este fato, com mais facilidade oferecem o flanco ao mal. Mas como a hora de cada um de nós está marcada, há que partir, a despeito de tudo, se ela tiver soado. A hora está marcada para bom número dos habitantes do universo terrestre; partem todos os dias; pouco a pouco o flagelo se espalha e vai estender-se sobre toda a superfície do globo.
Este mal é desconhecido e talvez o seja mais ainda hoje, porque, à sua constituição própria, juntam-se diariamente outros elementos que confundem o saber humano e impedem de achar o remédio necessário para deter a sua marcha. Assim, a despeito de sua ciência, os homens devem sofrer as suas conseqüências, e esse flagelo destruidor é muito simplesmente um dos meios para ativar a renovação humanitária, que se deve realizar.
Mas não vos inquieteis; para vós espíritas, que sabeis que morrer é renascer, se fordes atingidos e partirdes, não ireis à felicidade? Se, ao contrário, fordes poupados, agradecei-o a Deus, que assim vos permitirá aumentar a soma dos vossos sofrimentos e pagar mais pela prova.
De um lado como de outro, quer a morte vos fira, quer vos poupe, só tendes a ganhar; ou, então, não vos digais espíritas.
Doutor Demeure Isto é para ele (o médium fala de si na terceira pessoa). – Vede, foi dito que virá um momento em que ele poderia ver, ouvir e repousar por sua vez. Pois bem! esse momento é chegado, para vós e não para os outros; na reabertura ele não adormecerá mais, salvo alguns casos excepcionais, nos quais a sua utilidade se fizer sentir; neste momento ele o lamenta, mas, daqui a pouco, quando despertar e souber, ficará muito contente... o egoísta!... Contudo, ele ainda tem muito a fazer; daqui até lá, ele dormirá; raramente felicitará e fustigará muitas vezes: é a sua tarefa. Orai para que ela lhe seja fácil, para que sua palavra leve a paz, a consolação e a conciliação, aonde se fizerem necessárias. Ajudai-o com o vosso pensamento; ao retornar ele porá toda a sua boa vontade em vos secundar, e o fará de todo o coração; mas sustentai-o, pois precisa muito. Aliás, as circunstâncias excepcionais em que irá dormir talvez não sejam, infelizmente, muitas vezes motivadas. Enfim, dizei como ele: Que a vontade de Deus seja feita!
Morin Allan Kardec