A este sistema podem opor-se numerosas objeções, das quais são estas as principais: não se podendo conceber a Divindade sem o infinito das perfeições, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de partes tão imperfeitas, tendo necessidade de progredir? Devendo cada parte ser submetida à lei do progresso, conclui-se que o próprio Deus deve progredir; e se Ele progride incessantemente, deveria ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. Ora, como admitir que um ser imperfeito, formado de vontades e ideias tão divergentes, tenha sido capaz de conceber leis tão harmoniosas, tão admiráveis de unidade, de sabedoria e previdência quais as que regem o universo? Se todas as almas são porções da Divindade, todas concorreram para as leis da natureza. Como se explica, pois, que elas murmurem sem cessar contra essas leis que são obra sua? Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira senão com a condição de satisfazer a razão e dar conta de todos os fatos que abrange. Se um único fato lhe trouxer um desmentido, é que não contém a verdade absoluta.