Conversas Familiares de Além-Túmulo - Mozart
17. Que devo fazer para não temê-la? Resp. – Crer em Deus; sobretudo acreditar que Deus não separa um pai útil de sua família. 18. Como alcançar essa calma? Resp. – Pela vontade. 19. Onde haurir essa vontade? Resp. – Desvia o teu pensamento disso pelo trabalho. 20. Que devo fazer para aperfeiçoar o meu talento? Resp. – Podes evocar-me; obtive a permissão de inspirar-te. 21. Quando eu estiver trabalhando? Resp. – Certamente! Quando quiseres trabalhar, estarei perto de ti algumas vezes. 22. Ouvirás a minha obra? (uma obra musical do interpelante). Resp. – És o primeiro músico que me evoca; venho a ti com prazer e ouço as tuas obras. 23. Como explicar que não tenhas sido evocado? Resp. – Fui evocado; não, porém, por músicos. 24. Por quem? Resp. – Por várias damas e curiosos, em Marselha. 25. Por que a Ave-Maria me comove até as lágrimas? R. Teu Espírito se desprende e junta-se ao meu e ao de Pergolesi, que me inspirou essa obra, mas esqueci aquele trecho. 26. Como pudeste esquecer a música composta por ti mesmo? Resp. – A que tenho aqui é tão bela! Como lembrar daquilo que era só matéria? 27. Vês minha mãe? Resp. – Ela está reencarnada na Terra. 28. Em que corpo? Resp. – Nada posso dizer a propósito. 29. E meu pai? Resp. – Está errante para auxiliar no bem; fará tua mãe progredir; reencarnarão juntos e serão felizes. 30. Ele me vem ver? Resp. – Muitas vezes; a ele deves teus impulsos caritativos. 31. Foi minha mãe quem pediu para reencarnar-se? Resp. – Sim; tinha grande vontade de elevar-se por uma nova prova e adentrar num mundo superior à Terra; já deu um passo imenso nesse sentido. 32. Que queres dizer com isso? Resp. – Ela resistiu a todas as tentações; sua vida na Terra foi sublime, comparada com seu passado, que foi o de um Espírito inferior. Assim, já galgou alguns degraus. 33. Havia escolhido, então, uma prova acima de suas forças? Resp. – Sim, foi isso. 34. Quando sonho que a vejo, é ela própria que aparece? Resp. – Sim, sim. 35. Se tivessem evocado Bichat no dia da inauguração de sua estátua, teria ele respondido? Estaria lá? Resp. – Ele estava lá, e eu também. 36. Por que também estavas lá? Resp. – Pela mesma razão que vários outros Espíritos, que desfrutam o bem e se sentem felizes por ver que glorificais os que se ocupam da humanidade sofredora. 37. Obrigado, Mozart; adeus. Resp. – Crede, crede, estou aqui... Sou feliz... Crede que há mundos acima do vosso... Crede em Deus... Evocai-me mais freqüentemente, e em companhia de músicos; ficarei feliz em vos instruir e em contribuir para a vossa melhoria, e em vos ajudar a subir para Deus.
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Mês Maio
Ano 1858