Nem todos os fenômenos espíritas são igualmente fáceis de imitar, havendo alguns que evidentemente desafiam a habilidade da prestidigitação: tais são, notadamente, o movimento dos objetos sem contato, a suspensão dos corpos pesados no espaço, as pancadas de diferentes lados, as aparições etc., salvo o emprego dos truques e da cumplicidade. É por isso que dizemos que em tal caso é necessário observar atentamente as circunstâncias e, sobretudo, levar em conta o caráter e a posição das pessoas, o objetivo e o interesse que possam ter em enganar. Essa é a melhor de todas as fiscalizações, pois há circunstâncias que fazem desaparecer todos os motivos de suspeita. Julgamos, pois, em princípio, que se deve desconfiar de quem quer que faça desses fenômenos um espetáculo, ou objeto de curiosidade e de divertimento e que pretenda produzi-los à sua vontade e em data certa, conforme já explicamos. Nunca será demais repetir que as inteligências ocultas que se manifestam têm suas suscetibilidades e fazem questão de nos provar que também gozam de livre-arbítrio e não se submetem aos nossos caprichos. (Item 38.)
Basta que assinalemos alguns subterfúgios empregados, ou que se podem empregar em certos casos, para prevenirmos contra a fraude os observadores de boa-fé. Quanto aos que se obstinam em julgar sem aprofundarem as coisas, seria tempo perdido tentar mudar-lhes as ideias.