Temos dito muitas vezes que se o Espiritismo tivesse vindo um século mais cedo, não teria tido nenhum sucesso; eis a prova evidente disto, porque esse livro é, seguramente, do mais puro e do mais profundo Espiritismo. Para que se pudesse compreendê-lo e apreciá-lo, seriam necessárias as crises morais, pelas quais passou o espírito humano neste último século, e que lhe ensinaram a discutir suas crenças; mas era preciso, também, que o niilismo, sob suas diferentes formas, como transição entre a fé cega e a fé raciocinada, provasse a sua impotência em satisfazer as necessidades sociais e as legítimas aspirações da Humanidade. A rápida propagação do Espiritismo em nossa época prova que ele veio em seu tempo.
Se ainda hoje se vêem pessoas que têm sob os olhos todas as provas, materiais e morais, da realidade dos fatos espíritas, e que, a despeito disto, se recusam à evidência e ao raciocínio, com mais forte razão deviam ser muito mais encontradas há um século.
É que seu espírito ainda é impróprio para assimilar esta ordem de idéias; elas vêem, ouvem e não compreendem, o que não denota falta de inteligência, mas falta de aptidão especial; são como as pessoas a quem, embora muito inteligentes, falta o senso musical para compreender e sentir as belezas da música. É o que se deve entender quando se diz que sua hora ainda não chegou.