2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas de muito mérito, de moralidade irrepreensível e que, apesar de tudo, se veem impedidas de entrar em comunicação com os Espíritos bons.
“Isto é uma provação. Aliás, quem te diz que elas não trazem o coração manchado de certo mal? que o orgulho não domina um pouco a aparência de bondade? Essas provas, ao mostrarem ao obsidiado a sua fraqueza, devem fazê-lo inclinar-se para a humildade. Haverá alguém na Terra que possa dizer-se perfeito? Ora, um, que tem todas as aparências da virtude, pode ter ainda muitos defeitos ocultos, um velho fermento de imperfeição. Assim, por exemplo, costumais dizer daquele que não pratica nenhum mal, que é leal em suas relações sociais: que é um bravo e digno homem. Mas sabeis porventura se as suas boas qualidades não estão manchadas pelo orgulho? se não há nele um fundo de egoísmo? se não é avarento, ciumento, rancoroso, maledicente e mil outras coisas que não percebeis porque as vossas relações com ele não vos permitiram descobri-las? O meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.”