Possa o vosso exemplo espalhar-se como um eco amado, a fim de que todos os Espíritos em sofrimento, em qualquer parte, possam ouvir palavras que poderão guiá-los para as verdades eternas!
Diz-se que Paris é uma cidade de ruído e de esquecimento; os místicos pretendem que seja uma Babilônia moderna. Protesto bem alto, porquanto Paris é a cidade dos pensamentos laboriosos, das idéias fecundas e dos nobres sentimentos. É a cidade que irradia sobre o Universo; haverá de ensinar sempre os grandes princípios, as grandes abnegações e as sólidas virtudes.
Antes de tudo, vede nela a grande cidade, principalmente neste dia, em que cada um tem uma lágrima para seus caros ausentes; ela pôs de lado sua vida múltipla para ir recolher-se nas necrópoles, e esse rio humano, silencioso, refletido, vai orar sobre os restos dos que lhe foram caros; e ante esse piedoso cortejo, o próprio incrédulo é tomado de respeito.
Diz-se que Paris não é espírita. Procurai uma cidade no Universo, onde o mais modesto túmulo seja mais venerado, mais florido. É que a cidade das grandes realizações sente melhor as perdas dolorosas; suas lágrimas são sinceras e nada concede à aparência. Por certo Paris é uma cidade de prazeres para certa gente, mas é, também, a cidade do trabalho e das idéias para o maior número. Não é materialista por natureza. É ela que dá a luz espírita ao Universo, e esta luz lhe voltará aumentada, depurada.
Todos os povos virão buscar entre vós as verdades do Espiritismo, preferíveis aos fúteis e vãos prazeres e às exibições, que nada deixam ao espírito.
Há no ar uma idéia racional, aprovada por todas as pessoas progressistas: a de que todos deviam saber ler. Por mais bela que seja, nossa doutrina encontra um obstáculo na ignorância.
Assim o nosso dever, de todos nós espíritas, é diminuir o número de nossos irmãos ignorantes, a fim de que O Livro dos Espíritos não se torne letra morta para tantos párias. Trabalhar em espalhar a instrução nas massas é, ao mesmo tempo, abrir caminho ao Espiritismo e destruir o elemento do fanatismo; é diminuir outro tanto o arrastamento da ignorância; é criar homens que viverão e morrerão bem.
Realizado este grande ato de caridade, não terei mais a dor de ver voltarem, neste dia dos mortos, tantos Espíritos atrasados, que pedem reencarnação para saber e para realizar a missão prometida às suas novas faculdades. E tais Espíritos, tornados inteligentes, poderão, por sua vez, ir a outros mundos ensinar e dar o pão da vida, o saber que os torna dignos de Deus.
Legiões de ignorantes vos imploram: são os vossos mortos; não esqueçais o que eles pedem. Vossas preces lhes serão úteis, mas vossas ações são chamadas a lhes prestar um serviço mais essencial.
Adeus, irmãos. Vosso devotado condiscípulo, Sanson (Médium: Sr. Leymarie) III. Dia de felicidade para os Espíritos do Senhor, que se reúnem para dirigir a Deus preces pelos Espíritos, porque esta santa comunhão de pensamentos se reproduz, também, nas regiões superiores! Oh! sim, felizes os pobres deserdados que compreenderem o objetivo de nossas preces, proferidas para lhes apressar o progresso! Graças ao Espiritismo, muitos já entraram na via do arrependimento e puderam melhorar. É esta graça descida sobre a Terra que lhes abriu o coração aos pesares e lhes deu a esperança de vir um dia para junto de nós. Obrigado a vós todos, espíritas cristãos, por haverdes pedido a Deus e conseguido que pudéssemos vir dizer-vos: Coragem! Os Espíritos que vêm agradecer-vos este bom pensamento o aproveitaram e hoje se sentem muito felizes.
Direi, em particular, a meu bom amigo Canu: Alegrai-vos ao saber que o vosso amigo Hobach se encontra aqui, rodeado de Espíritos amigos e protetores que, atraídos pela simpatia, vêm elevar suas almas ao Criador, porquanto tudo vem dEle e a Ele deve voltar. Procuremos, pois, as reuniões sinceras, a fim de aproveitar os ensinamentos que aí são dados, e que os invisíveis e os encarnados possam progredir para o infinito, isto é, para o Ser Supremo, que nos criou para o bem e a marcha progressiva de suas obras. Sim, mil vezes obrigado, pois leio em todos os corações os sentimentos dos que nos amaram particularmente; mas, também, que os que choram enxuguem suas lágrimas, porque virão encontrar-nos num mundo melhor, onde a lei de justiça reina soberana, já que ali ela emana de Deus.
Hobach (Médium: Sra. Patet) IV. Amigos e irmãos em Espiritismo, estais reunidos neste dia para endereçar ao Senhor votos e preces pelos Espíritos que vos são caros e que aqui cumpriram a sua missão. Dentre eles, meus amigos, muitos realizaram essa tarefa dignamente e receberam a recompensa de seu trabalho nessa vida de expiação e de miséria. Oh! meus caros espíritas, esses velam por vós; eles vos protegem e hoje participam dos vossos votos e súplicas que dirigis ao nosso Pai comum. Na maioria estão entre vós, felizes por verem o recolhimento em que estais neste momento solene.
Mas é, sobretudo, para os Espíritos que não compreenderam sua missão neste mundo de passagem que deveis elevar os vossos pensamentos e as vossas preces. Oh! esses necessitam que corações amigos e almas compassivas lhes dêem uma lembrança, uma prece, mas uma prece sincera, que suba até o trono do Eterno! Ah! quantos desses Espíritos são desamparados, esquecidos, mesmo pelos que deveriam neles mais pensar; até por parentes muito próximos! É que estes, meus amigos, não são espíritas; não conhecem o efeito que sobre o Espírito pode produzir a ação da prece. Não: eles não conhecem a caridade, não acreditam noutra existência após esta, crêem que a morte nada deixa depois de si.
Quantos se dirigem, nestes dias de luto, com o coração frio e seco, aos túmulos dos que conheceram! Vão até lá, mas por hábito, por conveniência; sua alma não sente nenhuma esperança; nem mesmo pensam que essas almas, às quais vêm cumprir um dever, lá estejam, perto deles, aguardando uma prece vinda do coração.
Oh! meus amigos, supri com vossas preces o que não fazem os vossos irmãos. Eles não vêem na morte senão os despojos – o corpo – e esquecem que a alma vive sempre. Orai, porque vossas preces serão ouvidas pelo Altíssimo.
Um Espírito que também pede parte de vossas preces.
Lalouze (Médium: Sra. Lampérière) V. Caros amigos, quantas ações de graças não vos devemos em troca de vossas boas e generosas preces!
Oh! sim, somos reconhecidos por tanto devotamento, tanta caridade. Em tempo algum preces tão calorosas, tão fervorosas foram escutadas e levadas nas brancas asas dos Espíritos puros ao trono divino. Em tempo algum os homens compreenderam melhor a utilidade da prece em comum, cuja força moral pesa sobre os Espíritos imperfeitos que vêm, cada vez que vos reunis, haurir em vosso foco generoso e fraternal. Porque aí não há distinção; os pequenos, os deserdados da Terra são recebidos por vós como os grandes, como os príncipes; orai pelo pobre, como pelo rico. Oh! fraternidade divina, crescei sempre, até atingirdes o sublime regenerador, enviado para conduzir os homens no caminho reto, do qual se haviam afastado há tantos séculos!
Batei e abrir-se-vos-á, dizia Jesus; pedi e dar-se-vos-á.
Sim, fustigai as vossas paixões e o raio da caridade divina inundará a vossa alma. Pedi a fé e ela vos virá. Pedi paciência e ela vos será concedida. Em suma, pedi todas as virtudes necessárias para vos despojardes do velho homem, que deve desaparecer para sempre para dar lugar ao homem de bem.
Sou um Espírito desconhecido para vós e apropriei-me desta mão graças à caridade de São José.
(Médium: Sr. Lampérière) VI. Minha caríssima esposa, tenho visto teus suspiros, tuas lágrimas. Sempre a chorar! Também tenho visto tuas preces; permite que as agradeça. Vamos, querida amiga, consola-te. Como vês, perturbas a minha felicidade. Consola-te, pois, porque és mais feliz que muitas outras: tens irmãos que te amam, felizes por te verem vir entre eles. Vê, minha filha, o quanto és abençoada entre todas.
Não tenho senão que vos louvar, meus irmãos, pela boa acolhida que em toda parte é dispensada à minha esposa.
Agradeço-vos por tudo o que fazeis por ela... e também por mim, por me terdes chamado hoje!... Fui dos primeiros a sustentar e propagar com todas as minhas forças esta santa doutrina. Ah! se eu tivesse sabido o que sei e vejo agora! Crede, crede, é tudo o que vos posso dizer. Fazei tudo para ensiná-la e para atrair a vós os corações. Nada é mais belo, nada é tão verdadeiro quanto o que ensinam os vossos livros.
Costeau (Médium: Srta. Béguet) VII. Obrigado a todos, bem-amados irmãos, por vossa boa lembrança e por vossas preces. Obrigado a vós, caro presidente, pela feliz iniciativa que tomastes, fazendo orar por todos, numa mesma comunhão de idéias e pensamentos. Sim, estamos todos aqui; ouvimos, felizes, vossas preces sinceras, dirigidas ao Pai de misericórdia, em favor de cada um de nós. Sim, estamos felizes porque a prece feita com sinceridade sobe a Deus e dEle recebemos a força necessária para combater as más influências que os Espíritos levianos procuram fazer sentir aos que trabalham com energia para a obra santa. Essas preces foram para nós como um apelo solene, e nós nos achamos todos reunidos ao vosso lado. De longe, como de perto, acorremos a esse feliz apelo.