A festa de Todos os Santos, meus bons amigos, é uma festa que, para a maior parte dos que não possuem a verdadeira fé, os entristece e faz que derramem lágrimas, em vez de se regozijarem. Vede, desde a humilde choupana até o palácio, quando o dobre a finados lembra o nome do esposo ou da esposa, de um pai, de uma mãe, de um filho, de uma filha, choram; parece que tudo acabou, que nada mais têm a esperar aqui na Terra e, contudo, oram! Que é, então, essa prece? É um pensamento dado ao ser amado, mas sem esperança. As lágrimas abafam a prece; por quê?
Ah! é que eles duvidam; não têm essa fé viva, que traz a esperança, que vos sustenta nas maiores lutas. É que não compreenderam que a vida terrena não é senão uma partida, uma separação momentânea; numa palavra, é porque os que lhes ensinaram a orar também não tinham a fé verdadeira, a fé que se apóia na razão.
Mas é chegada a hora em que estas belas palavras do Cristo serão, enfim compreendidas: “Meu Pai deve ser adorado, não mais apenas nos templos, mas em toda parte, em Espírito e em verdade.” Tempo virá em que elas se realizarão. Belas e sublimes palavras. Sim, meu Deus, não sois adorado somente nos templos, mas o sois nos montes e em toda parte. Sim, aquele que molhou os lábios na taça bendita do Espiritismo, ora não só neste dia, mas todo dia; o viajor ora em seu caminho, o operário durante o seu trabalho; aquele que pode dispor de seu tempo o emprega no alívio de seus irmãos que sofrem.
Meus irmãos, alegrai-vos, porque em muito pouco tempo vereis grandes coisas! Quando eu estava na Terra, via a doutrina grande e bela, mas estava muito longe de poder compreendê-la em toda a sua grandeza e em seu verdadeiro objetivo. Por isso vos direi: Redobrai de zelo; consolai os que sofrem, porque há seres que foram de tal modo afligidos durante a sua vida, que necessitam ser amparados e ajudados na luta. Sabeis quanto a caridade é agradável a Deus: praticai-a, pois, sob todas as formas; praticai-a em nome dos Espíritos cuja memória festejais neste dia, e eles vos bendirão!
H. Dozon Depois das preces habituais (ver a Revista Espírita de novembro de 1865), trinta e duas comunicações foram obtidas pelos médiuns presentes, em número de dezoito. Considerando a impossibilidade de as publicar todas, a Sociedade escolheu as três seguintes, para serem anexadas ao discurso acima, cuja impressão ela pediu. As outras encontrarão lugar nas coletâneas especiais que serão publicadas ulteriormente.