Capítulo 3
Por que, quando vos referíeis ao corpo, faláveis sempre na terceira pessoa? — R. Porque era vidente, como vo-lo disse, e sentia claramente as diferenças entre o físico e o moral. Essas diferenças, mescladas entre si pelo fluido vital, tornam-se muito distintas aos olhos dos moribundos e clarividentes. Eis aí uma particularidade singular da morte deste senhor. Nos seus últimos momentos, ele dizia sempre: “Ele tem sede, é preciso dar-lhe de beber; ele tem frio, é preciso aquecê-lo; ele sofre em tal ou qual região etc.” E quando lhe diziam: “Mas não sois vós que tendes sede?” — respondia: “Não, é ele.” Aqui se distinguem perfeitamente as duas existências; o eu pensante está no Espírito, e não no corpo; o Espírito, já em parte desprendido, considerava o corpo outra individualidade, que a bem dizer não lhe pertencia; era, portanto, ao seu corpo que se devia dar de beber, e não a ele Espírito. Este fenômeno também se nota em alguns sonâmbulos.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos em condições medianas
Tema Marquês de Saint-Paul
Item 8