Conforme a doutrina ensinada por um Espírito, nenhum Espírito humano pode manifestar-se ou comunicar-se com os homens, nem servir de intermediário entre Deus e a Humanidade, considerando-se que sendo Deus onipotente e onipresente, não necessita de auxiliares para a execução de sua vontade, pois tudo faz por si mesmo. Em todas as comunicações ditas espíritas, só Deus se manifesta, tomando a forma nas aparições, e a linguagem nas comunicações escritas, dos Espíritos que evocamos e aos quais julgamos falar. Em conseqüência, estando morto o homem, não poderá mais haver relações entre ele e os que ficaram na Terra, até que, por uma série de reencarnações sucessivas, durante as quais progridem, tenham atingido o mesmo grau de adiantamento no mundo dos Espíritos. Como só Deus pode manifestar-se, segue-se que as comunicações grosseiras, triviais, blasfematórias e mentirosas também são dadas por Ele – mas como prova – do mesmo modo que as dá boas, a fim de instruir. Naturalmente o Espírito que ditou esta teoria faz-se passar pelo próprio Deus, formulando, sob esse nome, uma extensa doutrina filosófica, social e religiosa.
Que se deve pensar de tal sistema, de suas conseqüências e da natureza do Espírito que o ensina?