Novos Princípios de Filosofia Médica, pelo Dr. Chauvet, de Tours
Em nosso número de outubro apenas pudemos anunciar esta obra, lamentando que a extensão dos artigos, cuja publicação não podia ser retardada, nos tivesse impedido de apreciá-la mais cedo. Muito embora, por sua especialidade, o livro pareça estranho às matérias que nos ocupam, não obstante a elas se ligam, pelo princípio mesmo sobre o qual se apóia, porque o autor faz intervir claramente o princípio espiritualista na ciência mais eivada de materialismo. Não faz espiritualidade mística, como alguns a compreendem, mas, se assim nos podemos exprimir, espiritualidade positiva e científica. Empenha-se em demonstrar a existência do princípio espiritual que existe em nós, sua conexão com o organismo, auxiliada pelo laço fluídico que os une, o papel importante que esses dois elementos representam na economia, os erros inevitáveis nos quais caem forçosamente os médicos que tudo reportam à matéria, e as luzes de que se privam negligenciando o princípio espiritual. A passagem seguinte indica suficientemente o ponto de vista sob o qual ele encara a questão. “Em suma, diz ele (página 34), a constituição humana resulta: 1o – de um princípio espiritual, independente, ou alma imortal; 2o – de um corpo fluídico permanente; 3o – de um organismo material, dissolúvel, animado durante a vida por um fluido especial. “A união temporária do primeiro destes elementos constitutivos com o terceiro se opera pela combinação de seus fluidos respectivos (fluido perispiritual e fluido vital), de onde resulta um fluido misto que, ao mesmo tempo, penetra todo o corpo, irradia em torno dele, por vezes a grandes distâncias e através de todos os obstáculos, como o demonstram os fenômenos magnéticos, sonambúlicos e outros, que o materialismo de todas as cores repele com soberbo desdém, sob o pretexto de maravilhoso e de charlatanismo, porque vêm atacar com violência suas teorias insensatas.” Da ação do elemento fluídico sobre o organismo ele chega à demonstração, de certo modo matemática, do poder de ação das quantidades infinitesimais sobre a economia. Esta demonstração nos parece nova e uma das mais claras que lemos. Deixamos aos especialistas a apreciação da parte técnica, que não discutimos; mas, do ponto de vista filosófico, esta obra é uma das primeiras aplicações à ciência positiva das leis reveladas pelo Espiritismo e, nesta qualidade, tem seu lugar marcado nas bibliotecas espíritas. Embora o nome do Espiritismo nem sequer seja pronunciado, o autor pode ficar certo de que não terá a aprovação das pessoas preconceituosas, que negam tudo o que concerne à espiritualidade.
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Mês Dezembro
Ano 1866