Doutrina de Lao-Tseu – Filosofia chinesa
Outro tanto se poderia dizer de Sócrates, Platão, Sólon, etc., em relação aos gregos; do Cristo, cujos preceitos estão longe de ser praticados por todos os cristãos. Os trabalhos desses homens, que aparecem de longe a longe entre os povos, como meteoros da inteligência, jamais são estéreis; são sementes que ficam durante longos anos em estado latente, que não aproveitam senão a algumas individualidades, mas que as massas são incapazes de assimilar. Os povos são lentos em modificar-se, até o momento em que um abalo violento os venha tirar de seu torpor. É de notar que a maior parte dos filósofos pouco se preocupou em pôr em prática as suas idéias. Inteiramente voltados ao trabalho da concepção e da elaboração, não tiveram o tempo e, por vezes, nem mesmo a aptidão necessária para a execução do que concebiam. Este cuidado incumbe a outros, que dele se penetram, e são muitas vezes esses mesmos trabalhos, habilmente postos em ação, que servem, ao cabo de vários séculos, para agitar os povos e os esclarecer. Poucos chineses, à exceção de alguns letrados, sem dúvida, conhecem Lao-Tseu. Hoje que a China está aberta às nações ocidentais, nada haveria de impossível em que estas contribuíssem para vulgarizar os trabalhos do filósofo em seu próprio país. E quem sabe se os pontos de contato existentes entre a sua doutrina e o Espiritismo não será um dia um traço de união para a aliança fraterna das crenças? O que é perfeitamente certo é que quando todas as religiões reconhecerem que adoram o mesmo Deus sob diferentes nomes; que lhe concedem os mesmos atributos de soberana bondade e justiça; e que não diferem senão na forma de adoração, os antagonismos religiosos cairão. É a esse resultado que deve conduzir o Espiritismo.
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Mês Outubro
Ano 1868