Uma epidemia universal teria semeado o pânico na Humanidade inteira e por muito tempo detido a marcha de todo progresso; uma epidemia restrita, atacando sucessivamente e sob múltiplas formas, cada centro de civilização, produzirá os mesmos efeitos salutares e regeneradores, mas deixará intactos os meios de ação de que a Ciência pode dispor. Os que morrem são feridos de impotência; mas os que vêem a morte à sua porta buscam novos meios de a combater. O perigo torna inventivo; e, quando todos os meios materiais estiverem esgotados, cada um será mesmo constrangido a pedir a salvação aos meios espirituais.
Sem dúvida é apavorante pensar em perigos dessa natureza, mas, já que são necessários e não terão senão salutares conseqüências, é preferível, em vez de os esperar tremendo, preparar-se para os afrontar sem medo, sejam quais forem os seus resultados. Para o materialista, é a morte horrível e o nada depois; para o espiritualista e, em particular, para o espírita, que importa o que acontecer! Se escapar ao perigo, a prova o encontrará sempre inabalável; se morrer, o que conhece da outra vida o fará encarar a passagem sem empalidecer.
Preparai-vos, pois, para tudo, e sejam quais forem a hora e a natureza do perigo, compenetrai-vos desta verdade: a morte não passa de uma palavra vã e não há nenhum sofrimento que as forças humanas não possam dominar. Aqueles a quem o mal for insuportável, serão os únicos que o terão recebido com o riso nos lábios e a indiferença no coração, isto é, que se julgarão fortes em sua incredulidade.
Clélie Duplantier (Sociedade de Paris, 23 de outubro de 1868) O croton tiglium certamente pode ser empregado com sucesso, sobretudo em doses homeopáticas, para acalmar as cãibras e restabelecer a circulação normal do fluido nervoso; pode-se também usá-lo localmente, friccionando a pele com uma infusão leve, mas não seria prudente generalizar o seu uso. Não é aqui um medicamento aplicável a todos os doentes, nem a todas as fases da doença. Caso fosse de uso público, só deveria ser aplicado por indicação de pessoas que pudessem constatar a sua utilidade e lhe apreciar os efeitos; de outro modo, aquele que já tivesse experimentado a sua ação salutar, poderia, num dado caso, a ele ser completamente insensível, ou mesmo experimentar os seus inconvenientes. Não é um desses medicamentos neutros, que não fazem qualquer mal, quando não produzem o bem. Só deve ser empregado em casos especiais, e sob a direção de pessoas que possuam conhecimentos suficientes para dirigir a sua ação.
Aliás, espero que não seja necessário experimentar a sua eficácia, e que um período mais calmo se prepara para os infelizes habitantes de Maurício. Não é verdade que já estejam livres, mas, salvo exceção, em geral os ataques não são mortais, a menos que incidentes de outra natureza venham dar-lhes um caráter de gravidade particular. Em si mesma a doença toca o fim. A ilha entra no período de convalescença; pode haver algumas pequenas recrudescências, mas tenho razões para crer que a epidemia irá, de agora em diante, diminuindo até a completa extinção dos sintomas que a caracterizam.
Mas qual será a sua influência sobre os habitantes de Maurício que tiverem sobrevivido ao desastre? Que conseqüências deduzirão das manifestações de toda natureza, de que foram testemunhas involuntárias? As aparições, de que um grande número foi objeto, produzirão o efeito que delas se tem o direito de esperar? As resoluções tomadas sob o império do medo, do remorso e das censuras de uma consciência perturbada, não serão reduzidas a nada, quando voltar a tranqüilidade?
Seria desejável que a lembrança dessas cenas lúgubres se gravasse de maneira indelével em seus espíritos, e os obrigasse a modificar a sua conduta, retificando suas crenças; porque devem estar bem persuadidos de que o equilíbrio não se restabelecerá de maneira completa senão quando os Espíritos estiverem tão despojados de sua iniqüidade que a atmosfera seja purificada dos miasmas deletérios que provocaram o nascimento e o desenvolvimento do mal.
Entramos cada vez mais no período transitório, que deve levar à transformação orgânica da Terra e à regeneração de seus habitantes. Os flagelos são os instrumentos de que se serve o grande cirurgião do Universo para extirpar, do mundo, destinado a marchar para frente, os elementos gangrenados que nele provocam desordens incompatíveis como o seu novo estado. Cada órgão, ou melhor dizendo, cada região será, sucessivamente, dissecada por flagelos de diversas naturezas. Aqui, a epidemia sob todas as suas formas; ali, a guerra, a fome. Cada um deve, pois, preparar-se para suportar a prova nas melhores condições possíveis, melhorando-se e se instruindo, a fim de não ser surpreendido de improviso.
Algumas regiões já foram provadas, mas seus habitantes se equivocariam redondamente se se fiassem na era de calma, que vai suceder à tempestade, para recaírem nos seus antigos erros. É uma pequena trégua que lhes é concedida, para entrarem num caminho melhor; se não o aproveitarem, o instrumento de morte os experimentará até os trazer ao arrependimento. Bem-aventurados aqueles a quem a prova feriu de começo, porque terão, para se instruírem, não só os males que sofreram, mas o espetáculo daqueles seus irmãos em humanidade, que por sua vez serão feridos. Esperamos que um tal exemplo lhes seja salutar, e que entrem, sem hesitar, na via nova, que lhes permitirá marchar de acordo com o progresso.
Seria desejável que os habitantes de Maurício não fossem os últimos a tirar proveito da severa lição que receberam.
Doutor Demeure O Espiritismo em Toda Parte