Capítulo 13
Irmãos ignorantes ou irresponsáveis enxameiam, como é natural, todos os departamentos da Terra, em vista da posição evolutiva deficitária em que ainda se encontram as coletividades do Planeta e, muita vez, sem qualquer raiz de perversidade propriamente dita, milhares de almas, despidas do envoltório denso, praticam o vampirismo junto dos encarnados invigilantes, simplesmente no intuito de prosseguirem coladas às sensações do campo físico das quais não se sentem com suficiente coragem para se desvencilharem. Toda tarefa, para crescer, exige trabalhadores que se dediquem ao crescimento, à elevação de si mesmos. Isso é demasiado claro em todos os Planos da Natureza. Não há frutos na árvore nascente. A madeira não desbastada é incapaz de servir, com eficiência, ao santuário doméstico. A areia movediça não garante a sustentação. Não se faz luz na candeia sem óleo. O carro não transita com êxito onde a picareta ainda não estruturou a estrada conveniente. Como esperardes o pensamento divino, onde o pensamento humano se perde nas mais baixas cogitações da vida? Que mensageiro do Céu fará fulgir a mensagem celestial em nosso entendimento, quando o espelho de nossa alma jaz denegrido pelos mais inferiores dos interesses? Em vão buscaria a estrela retratar-se na lama de um charco. Amigos, pensemos no bem e executemo-lo. Tudo o que existe dentro da Natureza é a ideia exteriorizada. O Universo é a projeção da Mente Divina e a Terra, qual a conheceis em seu conteúdo político e social, é produto da Mente Humana. Civilizações e povos, culturas e experiências constituem formas de pensamento, através das quais evolvemos, incessantemente, para Esferas mais altas. Atentemos, pois, para a obrigação de autoaperfeiçoamento. Sem compreensão e sem bondade, irmanar-nos-emos aos filhos desventurados da rebeldia. Sem estudo e sem observação, demorar-nos-emos indefinidamente entre os infortunados expoentes da ignorância. Amor e sabedoria são as asas com que faremos nosso voo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial. Escalemos o Plano superior, instilando pensamentos de sublimação naqueles que nos cercam. A palavra esclarece. O exemplo arrebata. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor. Cristo é a meta de nossa renovação. Regenerando a nossa existência pelos padrões d’Ele, reestruturaremos a vida íntima daqueles que nos rodeiam. Meus amigos, crede!… O pensamento puro e operante é a força que nos arroja do ódio ao amor, da dor à alegria, da Terra ao Céu… Procuremos a consciência de Jesus para que a nossa consciência lhe retrate a perfeição e a beleza!… Saibamos refletir-lhe a glória e o amor, a fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar se estende sobre o mundo. Comecemos nosso esforço de soerguimento espiritual desde hoje e, amanhã, teremos avançado consideravelmente no grande caminho!… Meus amigos, meus irmãos, rogando a Jesus que nos ampare a todos, deixo-vos com um até breve. A voz da médium emudeceu. Sensibilizados, reparamos que, no alto, se apagara o jorro brilhante. Raul Silva, em prece curta, encerrou a reunião. Enlaçamos Clementino às despedidas. — Voltem sempre, — convidou-nos gentil. Sim, sim, continuaríamos aprendendo. E, lado a lado com o nosso orientador, retiramo-nos, felizes, como quem sorvera a água viva da paz, na taça da alegria.
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Nome do Capítulo Pensamento e mediunidade